Especialistas apontam aumento do uso do carro, retomada do trabalho presencial e gargalos no transporte público como causas
O trânsito na cidade de São Paulo está mais lento em 2026 do que no início do ano passado, segundo dados analisados por especialistas e divulgados recentemente. Nas médias de dias úteis, os congestionamentos registrados neste ano superam os níveis observados no mesmo período de 2025.
Na prática, isso significa deslocamentos mais longos para quem circula pela capital. Em alguns trajetos urbanos, percursos relativamente curtos podem levar muito mais tempo do que o esperado. Um exemplo é um deslocamento de cerca de 6 quilômetros entre os bairros da Pompeia e da Saúde, que pode ultrapassar uma hora e meia no horário de pico da manhã.
Aumento do uso de carros pressiona sistema viário
Para especialistas em mobilidade urbana, a situação atual é resultado da combinação de vários fatores. Entre eles estão a retomada do trabalho presencial, o crescimento dos serviços de transporte por aplicativo e a redução no uso do transporte coletivo.
Segundo Ciro Biderman, houve uma mudança significativa no comportamento da população após a pandemia.
“Depois da pandemia, as pessoas voltaram a usar os carros e a cidade não estava preparada para isso. Quem pode está saindo do transporte público e optando pelo individual”, afirma.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo indicam que, em 2025, a capital possuía 3.854.057 automóveis e 883.888 motocicletas registrados. Esse número não inclui veículos de outras cidades que circulam diariamente pela capital.
Transporte público perdeu usuários
O aumento do uso de veículos individuais também aparece em estudos sobre mobilidade urbana. Segundo Sérgio Avelleda, pesquisas mostram queda no uso do transporte público e crescimento do transporte motorizado individual.
“O espaço da cidade continua o mesmo. A consequência natural é a existência desses engarrafamentos diários”, afirma.
Para o especialista, melhorar o transporte coletivo é essencial para reduzir o problema. Entre as medidas sugeridas estão:
- ampliação de faixas exclusivas e corredores de ônibus
- estímulo à mobilidade ativa, como bicicletas
- expansão e melhoria das ciclovias
- programas para melhoria das calçadas.
Ampliação de vias não resolve o problema
Segundo Claudio Barbieri, aumentar o número de faixas nas avenidas não é solução definitiva para o trânsito da cidade.
Ele cita como exemplo a ampliação da Marginal Tietê, realizada em 2009, quando o número de faixas passou de sete para dez.
“A capacidade aumentou em quase 40%, mas anos depois a Marginal continua tão congestionada quanto antes”, explica.
Para Barbieri, a mobilidade em São Paulo é um problema estrutural que exige soluções de longo prazo, especialmente a ampliação do transporte sobre trilhos.
“O metrô é uma alternativa eficiente, mas a cidade ainda não possui uma rede suficientemente grande para melhorar o deslocamento de forma geral.”
Debate sobre pedágio urbano volta à pauta
Entre as medidas discutidas para reduzir o uso de carros está o pedágio urbano, modelo já adotado em diversas cidades do mundo.
Segundo Barbieri, a medida é impopular, mas poderia ser testada em regiões com boa oferta de transporte público, como a área da Avenida Paulista.
A proposta seria cobrar pelo acesso de veículos em determinados horários, com possíveis isenções para moradores da região.
CET aponta fatores que aumentam congestionamentos
Em nota, a Companhia de Engenharia de Tráfego informou que monitora constantemente as condições de circulação na cidade.
Segundo a companhia, diversos fatores contribuem para o aumento da lentidão, entre eles:
- crescimento da frota de veículos
- obras de infraestrutura e viárias
- condições climáticas adversas
- grandes eventos na cidade
- redução do home office
- ocorrências e acidentes no sistema viário.
A CET informou ainda que conta com 1.719 agentes de trânsito, distribuídos em quatro turnos de trabalho, atuando para melhorar a fluidez e garantir segurança no tráfego.
Além disso, a cidade vem realizando um processo de modernização semafórica. Segundo a companhia, equipamentos já foram atualizados em 1.448 cruzamentos, dentro de um projeto que prevê a modernização de 2.586 semáforos na capital.
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